![]() |
| Festa do Biscoito em Japonvar-MG. Tradição que atravessa o tempo. |
Pra dentro dos portões da festa, a gente se vê tomado por um cheiro em comitiva – o doce do coco queimado, a coceirinha de agrado da laranja, o conforto do queijo, um agrado que esquenta a alma. Não é só provar; é sentir o conto que cada receita carrega, um emaranhado de tempo. Cada dentada é um elo com as gerações que se foram e as que vêm, de mãos que amassaram a tradição, de famílias que, com tino e teimosia, fizeram viver a substância dessa gente. Aqui, o biscoito não é só comida; é herança bendita, um chamado à lembrança que pega no coração e à descoberta dum tempo que resiste, firme.
Nesse mergulho, bem aí, mora a força do Turismo de Experiência ou o Turismo do Viver o Entorno. O que chega, o forasteiro, não é só quem olha; é quem participa, quem tateia o desconhecido. Conversar com as "biscoiteiras" que, com o olho miúdo, contam os segredos do forno a lenha ou de onde veio um tal tempero, é um “com-fazer” que tempera a viagem da gente, tornando-a mais humana. Ver o trato das mãos, as unhas no fazer, as mãos ligeiras a modelar a massa, é ser testemunha da verdade que o mundo de agora tanto suspira. Japonvar, com sua festa nos dá a chance de tocar no que é da terra, de viver o lugar, de levar consigo não só o biscoito, mas uma lembrança viva e sua, só sua.
“Aqui está o miolo do negócio, a beirada que faz a diferença para o nosso povoado, esta doçura toda tem um saber mais profundo do nosso povo”, são palavras do prefeito Welson, que sabe a importância da festa para fazer a economia crescer. Atrás de cada venda colorida, de cada sacola de biscoito oferecido, há família que se levanta, há um girar bom que se estabelece. Gente da roça que fornece a farinha, o queijo, o coco; artesão que faz sua arte inspirada no que é de cá; vendilhão pequeno que vê seu ganho subir. O dinheiro que vem com o viajante roda na comunidade, arruma serviço pra gente, movimenta o balcão, aprimora quem trabalha e, muitas vezes, permite que o moço e a moça fiquem em sua terra, vendo nela um futuro que vale a pena.
A visão da regionalização do turismo toma corpo aqui, feito gente viva. Japonvar, com sua Festa do Biscoito, é exemplo de como esses lugarejos, talvez não na estrada dos muitos, podem virar um centro de chama e de sustento dentro da teia maior do turismo, como o nosso Circuito Velho Chico. É um reconhecer que o diferente é o nosso maior tesouro, e que cada povoado tem uma riqueza pra se mostrar.
A arte de enlaçar o visitante através do paladar e da experiência autêntica, gerando fartura, é a prosa que a gente precisa contar e a vida que a gente precisa construir. Que o cheiro dos biscoitos de Japonvar continue a perfumar os rumos do progresso, chamando a todo mundo pra uma viagem que sustenta o corpo, a alma e o viver.
![]() |





Comentários
Postar um comentário