*Prof. Rogério Fagundes
Ah, companheiro, a notícia chegou, rodopiando nas veredas do cerrado, feito poeira de estrela que desce na noite do sertão! O Peruaçu, cânion de Deus e de milagre, recebeu a benção, o selo grande, a marca de que é Patrimônio Natural da Humanidade. Não é pouca coisa, não! É como se o rio, que corre por essas bandas desde o princípio dos tempos, tivesse agora sua voz escutada em todas as línguas do mundo.
Veja bem, este chão, que já era sagrado por si, com suas grutas que guardam segredos de doze mil anos , seus paredões calcários que alcançam o céu , e a Perna da Bailarina, estalactite que é a maior do mundo, com seus vinte e oito metros de dança em pedra , agora tem um nome riscado na lista dos tesouros maiores da terra. É como se o Grande Sertão, que é Minas, se abrisse ainda mais para o sol, e o mundo visse a beleza que a gente já sabia que existia aqui.
Isso não é só prestígio, não. É a confirmação de que este lugar tem valor para todos os povos, e que precisa ser guardado, protegido, para os filhos dos filhos. É um alívio, um respiro para a mata, para o cerrado e a caatinga que aqui se entrelaçam, para os bichos e as plantas que fazem morada neste sertão sem fim. O reconhecimento, como diz o Giunco, é uma ferramenta para proteger, valorizar e fazer a região crescer de um jeito bom, com juízo.
O Peruaçu, agora com essa glória, não estará mais escondido, mas sim posto em luz para os olhos de quem quiser ver. Vai trazer mais gente, sim, mas gente que vem para aprender, para admirar, para cuidar. É um momento de festa, de regozijo, para o povo norte-mineiro que lutou tanto por isso. A semente plantada lá em 1998, com o Labegallini , regada pelo Giunco, pelo Issa, pela Claudia e por tantos outros, deu seu fruto, e é um fruto abençoado. O Cânion do Rio Peruaçu, agora, é parte do mundo, e o mundo, de alguma forma, é mais um pouco do Peruaçu. O correr das águas, agora, canta também essa vitória.




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