Um pedacinho do céu mineiro, rumo à lista grande do patrimônio.
*Rogério Fagundes
Aqui, onde as veredas se encontram e o tempo se dobra sobre si, uma joia encravada no norte de Minas, bate à porta do mundo. A UNESCO, lá em Paris, na sua 47ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, entre os dias 10 e 13 de julho de 2025, vai sopesar o destino deste pedaço de Brasil, O Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, feito de mais de mil e duzentas cavernas espiadas e vislumbradas, paredões que tocam o céu, e vestígios de gente que por ali andou há doze mil anos. Se o sim for dado, Peruaçu entrará para a lista dos tesouros naturais do mundo, ao lado dos Lençóis, de Noronha, do Pantanal e das Cataratas.
Muita gente boa se debruçou sobre esse caminho, além do professor José Ayrton Labegallini, o espeleólogo Leonardo Giunco, Bernardo Issa, Cláudia Seixas, Elson da Silva Souza e Sidnei Olympio foram pilares, e tantos outros, como Débora Takaki, Adailton Oliveira, e o saudoso Paulo Ribeiro, ajudaram a tecer essa história. Em outubro de 2024, entre os dias 19 e 22, a IUCN, braço técnico da UNESCO, veio de longe para ver de perto, pisando nas cavernas, olhando as artes nas pedras, e aferindo os arranjos para a conservação. O parecer, em abril de 2025, foi de que a coisa podia ir adiante para a votação.
Se a luz verde vier, Peruaçu, mais que prestígio, vai atrair turistas com respeito, trazer dinheiro bom para a terra, ensinar a cuidar do ambiente e firmar a proteção deste lugar ímpar. "É mais que um símbolo, é uma ferramenta para proteger, valorizar e desenvolver a região de forma sustentável", disse Giunco.
Seja qual for o desfecho, esta candidatura já clareia os olhos do mundo para este tesouro escondido do Brasil profundo, fruto da labuta de muitos, da devoção das gentes da terra e da persistência do povo do Norte de Minas. É um momento de alumiar o que antes jazia em sombra, um novo capítulo para o Cânion do Rio Peruaçu no livro do mundo.




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